Enquanto uns choram outros vendem lenço: Caixões artísticos e a cultura funerária em Gana/África
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Enquanto uns choram outros vendem lenço: Caixões artísticos e a cultura funerária em Gana/África


Já imaginou ser enterrado em um abacaxi gigante? Ou fazer sua última viagem em uma réplica perfeita do seu caminhão favorito? Em Gana, isso não é só possível - é uma tradição celebrada com muito orgulho e criatividade!

Quando o funeral vira obra de arte

A acadêmica suíça Regula Tschumi ficou tão fascinada pelos funerais ganenses que passou décadas fotografando essas celebrações incríveis. O resultado? Um livro cheio de imagens coloridas que mostram como os ganenses transformaram a despedida em uma verdadeira festa da vida.

E o segredo está nos caixões! Esqueça aquelas caixas retangulares e sem graça. Por aqui, uma vendedora de abacaxis descansa eternamente em seu abacaxi gigante. Um pescador navega para a eternidade dentro de um peixe esculpido à mão. Um construtor apelidado de "Caranguejo" ganhou seu próprio caranguejo personalizado em 2024!

Arte que conta histórias

Esses caixões maravilhosos são feitos por artesãos especializados em pequenas oficinas, cada um levando semanas de trabalho manual. A família escolhe o formato baseado na profissão, nas paixões ou até nos apelidos do falecido. É a última chance de contar ao mundo: "Olha quem foi essa pessoa especial!"

Um chefe ganhou um tubarão-baleia majestoso - símbolo de força e poder. Funcionários da ferrovia são enterrados em vagões de trem. E tem até quem escolha formatos totalmente únicos, limitados apenas pela imaginação dos artesãos.

caixao em formato de bule

E ainda tem dança!

Se você achou que caixão artístico já era demais, prepare-se: os ganenses inventaram a dança dos caixões!

Benjamin Aidoo, um agente funerário visionário, criou essa tradição relativamente nova que virou sensação mundial. Grupos de dançarinos carregam o caixão fazendo coreografias elaboradas e cheias de energia até o local da cerimônia. É impossível não sorrir vendo aquelas performances!

Em 2017, uma família surpreendeu todo mundo com dançarinos carregando um caixão em formato de caminhão. Os vídeos viralizaram na internet e transformaram essa tradição ganense em fenômeno global. Quem nunca viu aqueles memes dos "pallbearers" dançando?

O velório animado

Na véspera do funeral, acontece o velório - mas nada daquele clima pesado que estamos acostumados. O falecido pode estar sentado ou deitado (sim, sentado mesmo!), e os agentes funeráveis às vezes mudam a posição durante a noite. É uma última oportunidade para amigos e familiares prestarem suas homenagens de forma íntima.

E olha que desafio: em 2024, um caixão em formato de peixe tinha a cauda tão comprida que não coube na sepultura. Solução? Serra na mão e adapta! Afinal, a criatividade ganense não tem limites.

funeral de um militar

Por que tanta festa?

Você pode estar se perguntando: "Mas não é triste?" Claro que há tristeza pela perda, mas os ganenses escolheram celebrar a vida em vez de focar apenas na morte. Cada funeral é uma declaração de amor, uma última festa em homenagem a alguém especial.

A expressão "enquanto uns choram, outros vendem lenço" ganha aqui um significado lindo: existe toda uma economia criativa em torno desses funerais. Artesãos, dançarinos, agentes funerários, fotógrafos - todos trabalham juntos para criar despedidas memoráveis. E muitos artesãos até vendem seus caixões para museus ocidentais, ganhando reconhecimento internacional!

festa no velório

Uma lição colorida

Os caixões artísticos de Gana nos ensinam algo precioso: celebrar a vida não precisa parar quando ela termina. Cada pessoa merece ser lembrada de forma única, especial e, sim, com muito estilo!

Enquanto o mundo inteiro usa caixões padronizados, os ganenses transformaram a despedida em arte.


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